Descobertas recentes feitas com 259 crianças pela Universidade de Illinois, EUA, concluíram que os estudantes que despontavam na motricidade humana tinham também melhor desempenho escolar. Assim constataram que atividades lúdicas e esportivas ajudam a melhorar o desempenho do cérebro.
Modalidades como judô e luta olímpica promovem o crescimento de especificas áreas cerebrais correspondentes ao equilíbrio e raciocínio veloz. A antropóloga Dean Falk da Universidade Estadual da Flórida, EUA, analisou imagens do cérebro de Albert Einstein e descobriu a existência de uma saliência no córtex motor. E segundo Falk isso sugere a prática do violino, instrumento que o físico aprendeu ainda na infância, contribuiu para o formato incomum do cérebro.
Atividades como correr, jogar, lutar, nadar, pedalar, andar ou qualquer outra que exija um esforço cardiovascular (musculação, por exemplo, não vale) alteram o padrão do funcionamento das células cerebrais, pois os exercícios melhoram a oxigenação e a comunicação entre as células nervosas – sinapse. E essa comunicação mais rápida entre os neurônios nos deixa mais ágeis e com raciocínio mais rápido.
Com a pesquisa da neurogênese, o processo de produção de novos neurônios ao longo da vida, em 1998, e o avanço da tecnologia de neuroimagens revelaram uma nova realidade. O cérebro possui capacidade de se regenerar e de se adaptar. A maior parte do cérebro é constituída de massa encefálica, sem nenhuma função vital. Isso explica como uma pessoa pode ter a cabeça transpassada por um arpão, por exemplo, e sobreviver sem seqüelas. “As conexões cerebrais são globais. Cada tarefa é realizada não por uma única área, mas por uma densa rede de neurônios”, explica Benedito Damasceno, chefe do departamento de neurologia da Faculdade de Medicina da Unicamp. As funções vitais, como o batimento cardíaco e a respiração, estão protegidas em áreas profundas, como o hipotálamo e o tronco cerebral.
No Brasil neurocientistas de importantes universidades também concordam com o estudo e o assunto também mereceu matéria de capa de uma importante revista semanal brasileira. Portanto, quebrou-se o mito de que os neurônios (células nervosas do cérebro) se perdem. Ao contrário, o cérebro produz novas células e pode se manter jovem evitando falha de memória ou perda de raciocínio.
Cérebro e músculos
O trabalho muscular exige um trabalho cerebral. Um cérebro mais vigoroso torna-se mais apto para enfrentar os desafios. Para dar conta de cada movimento que realizamos, miríades de músculos entram em ação. E como o músculo entra em atividade pela lei do tudo ou nada – ou ele se contrai ou não – cada uma de seus milhões de fibras musculares – miofibrilas -são exigidas para a realização daquele exato movimento. Quanto mais complexo o movimento, mais músculos agem e mais o cérebro trabalha.
Especialistas acreditam que três fatores estão associados ao desenvolvimento superior do cérebro. A primeira é uma arborização mais volumosa e rica dos dendritos. Esses prolongamentos do neurônio recebem os sinais elétricos das terminações dos neurônios vizinhos, estabelecendo a comunicação entre os neurônios. O segundo fator é uma maior conectividade entre os neurônios, ou seja, um maior número de sinapses. O terceiro é uma inter-relação mais eficiente de várias áreas do cérebro para realizar uma determinada função. O que ocorre quando trabalhamos a visualização, como dizia Einstein ‘ a imaginação é mais importante que o conhecimento’. Desse modo conclui que a ‘massa cinzenta’ também pode ser moldada -estimulada. “O cérebro é mais parecido com uma floresta do que com um relógio ou computador, como se pensava no passado”, diz o neurologista Mauro Muszkat, da Universidade Federal de São Paulo.
A atividade física que exige um esforço cardiovascular melhora o funcionamento do coração, que bomba mais sangue na corrente circulatória. Com isso, fígado, rins e demais órgãos são beneficiados e o mesmo acontece com o cérebro. Ou seja, ele depende do sangue que o nutre da mesma maneira que o fígado, o baço, os rins, etc.
Quanto mais trabalhamos nossos músculos através de movimentos complexos, mais nós exigimos uma participação mais incisiva do cérebro.
“Quando corremos, caminhamos (lutamos – Sistemix), pedalamos ou nadamos, numa atividade uniforme, estamos aumentando o número de neurônios e, quando exercemos movimentos de complexa realização, criamos conexões interneurais. Por esse motivo o movimento físico é um elemento primordial para manter o cérebro jovem e ativo e evitar falha de memória, perda de raciocínio, mal de Alzheimer”, afirmou Nuno Cobra – profissional de Educação Física, ex-treinador de Airton Senna.