Há 16 anos, quando comecei a trabalhar com assessoria de imprensa, tinha muito trabalho para explicar às empresas quais as características do serviço que eu prestaria e seus limites. Só grandes empresas contratavam uma assessoria de imprensa no interior. Menos de duas décadas se passaram e, hoje, todo tipo de empresa em qualquer segmento – comércio, indústria, prestação de serviços – e de qualquer porte, incluindo pequenos e criativos negócios, tem se utilizado dos benefícios dessa ferramenta do marketing. Sim, pois se faz marketing usando algumas ferramentas como a propaganda, a publicidade, as relações públicas e a assessoria de imprensa, dentre outras.
As empresas que conseguiram entender bem o papel do assessor estão saboreando excelentes resultados com suas assessorias de imprensa não apenas pelas notícias publicadas nos jornais e revistas, nos noticiários de emissoras de rádio e televisão, além de sites de notícias. Essas empresas passaram a ter um relacionamento especial e profissional com os jornalistas – e isso, sinceramente, não tem preço.
Outros, entretanto, continuam procurando as assessorias nos momentos de desespero – quando uma denúncia contra seus negócios chega às páginas dos jornais, por exemplo. E outros – o que é bem pior – declaradamente infratores em suas condutas profissionais (quem dirá nas pessoais!) continuam acreditando que seus assessores de imprensa têm o papel e habilidade de mudar o curso de uma notícia ruim. Mas isso não merece mais que um parágrafo neste artigo.
O principal papel de um assessor de imprensa não é exatamente conseguir a publicação de uma notícia em um espaço valorizado de um jornal, uma revista, um programa de rádio ou um telejornal ou mesmo um site de notícias. Por incrível que possa parecer! O assessor de imprensa mostra competência quando consegue que seu cliente seja reconhecido, respeitado e lembrado pelo jornalista que está lá na redação produzindo uma matéria de economia, ou pelo colunista que está fechando sua coluna sobre política, ou ainda pelo repórter que ao redigir sua reportagem especial lembra-se de consultar esse mesmo cliente para tirar uma dúvida. É quando o tal cliente vira fonte. A fonte pode nem aparecer na matéria em questão, mas a ela foi creditado respeito por parte do jornalista – e isso também não tem preço.
É papel do assessor de imprensa não somente conseguir espaços para seu cliente nos veículos de comunicação jornalística. Muito mais importante que isso, é conseguir abrir e manter um canal de comunicação com esses jornalistas e tornar o cliente fonte de informações em sua área de atuação. A publicação da notícia é, então, uma consequência.
Para que, então, o assessor? Oras, pelo fato de que os veículos jornalísticos estão cada vez mais especializados, as notícias se espalham rapidamente pela internet e a televisão, hoje, cobre com facilidade o jornalismo local, regional, nacional e internacional – o que não acontecia quando comecei minha carreira profissional em 1989. Pelo fato também de que a boa notícia da boa empresa deve ser divulgada para valorizar a marca e dar bons exemplos. E mais: as redações estão cada vez mais setorizadas – lembro de quando telefonei para um grande jornal de economia paulistano a fim de sugerir uma pauta sobre negócios e divulgar, consequentemente, o produto de meu cliente (à época, os pagers que estavam chegando ao mercado) e na editoria de negócios do grande jornal tinha uma subeditoria, a de telecomunicações. Isso está acontecendo com maior ênfase, agora, no interior.
O assessor de imprensa precisa, então, saber produzir boas pautas não apenas para um jornal importante, mas também para o repórter de especiais, para o colunista de economia e o colunista social do mesmo jornal. E mais: deve saber o foco de cada um, o perfil de texto de cada um. Já num outro jornal da mesma cidade, pasme, a mesma matéria pode se encaixar como uma luva na editoria de arquitetura – e lá vai o assessor, novamente, produzir outra sugestão de pauta a respeito do mesmo produto do mesmo cliente, agora, com foco em arquitetura.
E isso é apenas um exemplo de um assunto que o assessor começou a trabalhar em sua segunda-feira. Aí chega um novo cliente e quer saber quanto custa um “press release” que ele quer usar no folder institucional de sua empresa informando sobre um novo produto e também enviá-lo a jornalistas de rádios, jornais, TVs, sites, revistas, além de utilizá-lo em sua mala-direta impressa e eletrônica e ainda publicar em seu site!
Blanche Amancio Silva
Jornalista profissional, graduada em Letras, pós-graduada em História, Cultura e Sociedade.
blanche@textocia.com