O curioso sobre as frustrações é que não é necessário provocá-las intencionalmente para que a criança, o adolescente ou o adulto aprendam a ficar sob seus efeitos.
É sempre inerente à nossa vontade as situações que acontecem e que não atendem nossos desejos e expectativas.
O relacionamento entre o bebê e sua mãe funciona como uma matriz, que permite um inter jogo de contato com as primeiras emoções da vida, que inicialmente são corporais, através da amamentação e cuidados com a higiene.
No decorrer dos primeiros meses de vida, o bebê vai reconhecendo sua mãe e desenvolvendo com ela uma relação que chamamos de relação de objeto.
Toda disponibilidade da mãe, ou falta de disponibilidade, estão presentes e imprimindo uma comunicação não-verbal, que vai contribuir para construção do mundo subjetivo da pessoa que esse bebê vai se tornar.
Consideramos também os aspectos constitucionais natos da criança, de tolerância, para aguardar as atenções da mãe após um choro do bebê, que comunica alguma necessidade que nem ele conhece e precisa ser discriminada pela mãe.
Todas essas experiências iniciais, somadas às que vão se acrescentando com o crescimento, determinam aspectos constitutivos do psiquismo de cada pessoa.
O famoso complexo de Édipo, muito incompreendido por leigos, é um mito utilizado como metáfora (modelo) na psicanálise, para descrever a presença do pai, entre a mãe e o filho.
A possibilidade de a mãe permitir a entrada do pai no relacionamento é fundamental para a criança assimilar as diferenças da vida, porque o pai introduz um afeto, um jeito, uma presença muito diferente da mãe, além de quebrar a simbiose inicial necessária da mãe-bebê até os três meses iniciais.
É nesta experiência emocional que a criança, de acordo com as condições de maturidade ou imaturidade da jovem mãe, vai perceber o pai e experimentar a exclusão necessária para aceitar ser excluída em suas vivências, porque pai e mãe formam um casal adulto que dorme em outro quarto e tem momentos juntos em que o bebê não participa.
A percepção do outro, quer dizer o sentido de alteridade, vem dessas bases, e as raízes das possibilidades de assimilar frustrações também. Perceber o outro com qualidades, limitações e vida própria permite-nos compreender melhor que as pessoas não podem atender nossas vontades, porque elas pensam e sentem de maneiras diferentes umas das outras.
Compreender isso nos ajuda a não esperar das pessoas atitudes e afetos que muitas vezes estão apenas dentro de nós mesmos.
Munira Mustafá Bazzi Akrouche