Afinal, o que é a felicidade? Ela está em algum lugar? Algumas pessoas nascem com o privilégio de tê-la?
Quanto mais o sujeito constrói seus pensamentos de forma idealizada, mais distante ele fica de pensamentos realistas.
O que significa isso? Significa que os sujeitos são levados a pensar que suas vidas só estarão boas quando tiverem isso ou aquilo, ou ainda que não existe nada de bom em suas vidas, pois acreditam que tudo lhes falta e assim consomem uma péssima auto-estima, um sentimento constante de fracasso e infelicidade, regado a desespero e à desesperança.
A felicidade ou a alegria não está em um lugar ou situação estabelecida, esses sentimentos primorosos só podem manifestar-se a partir do momento que o sujeito é capaz de desfrutar de um estado interno de contentamento.
A questão parece muito simples, mas não é, pois desfrutar de um estado de contentamento interno é uma capacidade que precisa ser desenvolvida ao longo da vida. Digamos que os sujeitos precisam aprender a viver com o que têm, acreditar em seus sentimentos amorosos, que lhes fornecem energia suficiente para enfrentarem a vida.
Na verdade ninguém nasce sabendo sofrer, e ninguém precisa sofrer para crescer psiquicamente.
A questão é que quando existe algum tipo de dor mental, existe uma experiência em curso. Essa experiência, quando atinge a função de ensinar algo ao sujeito, como, por exemplo, ampliar sua sensibilidade para algumas questões existenciais, ela amplia seu mundo psíquico e promove seu crescimento.
O ser humano pode aprender a partir de suas próprias experiências ou de tudo que ele observa à sua volta.
Muitas pessoas não conseguem desfrutar de suas experiências por uma questão psíquica, transformam suas dores em revoltas, transtornos que alteram suas emoções e vivem tristes, deprimidas, e nada lhes parece prazeroso na vida.
No entanto, encontrar-se com a felicidade é sim privilégio de quem aprendeu o verdadeiro sentido da vida, que está muito além de um mercado de consumo de bens materiais desenfreado. O mercado de consumo a que me refiro aqui é o de gastar tempo com as pessoas, para dar a elas atenção, amor, carinho, respeito, que hoje em dia está meio fora de moda.
Diante de tanto caos que a humanidade atravessa, manter certa sabedoria dos sentidos da existência ainda é essencial para formação de pessoas equilibradas e sensatas, que assumirão os rumos da existência em nosso planeta.
E essa tal felicidade, onde está? Está naqueles momentos em que você olha para trás e se lembra que diante das maiores dificuldades, surgiram coisas boas, que trouxeram alívio, contentamento e esperanças que renovaram você por dentro e te fizeram ver que ainda é possível continuar a viver sem se desesperar.
Munira Mustafá Bazzi Akrouche